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“Albufeira não pode continuar a ser um laboratório de incerteza”

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wednesday

“Albufeira não pode continuar a ser um laboratório de incerteza”

Albufeira regressou às manchetes dos jornais. Não por mérito, mas por tragédia.

O episódio é, em si mesmo, gravíssimo. Um condutor de 35 anos, com 1,29 g/l de álcool no sangue, ignorou ordens da GNR e investiu contra peões e agentes, sendo detido e acusado de ofensa à integridade física qualificada, condução perigosa e condução sob influência de álcool.

Por trás da manchete, porém, esconde-se um padrão que não pode ser reduzido à imprevisibilidade de um indivíduo, mas sim à previsibilidade de uma impreparação coletiva. A responsabilidade penal é individual e deve ser tratada com todo o rigor da lei, mas seria um erro político e ético encerrar aqui o debate. A imprevisibilidade do indivíduo não pode servir de álibi para a previsibilidade da vulnerabilidade de um espaço que, há décadas, se sabe ser um dos principais polos de concentração pedonal e de diversão noturna do concelho.

Antes de qualquer debate político, há pessoas. Há vítimas. Há famílias. Há jovens que estavam simplesmente a divertir-se. E há dois militares da GNR feridos enquanto cumpriam a sua missão. A todos deixo a minha solidariedade e o desejo sincero de uma recuperação plena e rápida.

A Oura e a Baixa são, há muito, cartografadas pela experiência. Sabe-se quando enche, onde a multidão se concentra, quais os horários críticos e como, em circunstâncias específicas, uma viatura pode converter-se em arma. A prevenção existe precisamente para transformar essa experiência em arquitetura de segurança, com barreiras físicas adequadas, acessos controlados, dispositivos de dissuasão e planos operacionais calibrados à densidade pedonal e ao risco real. “ignorar esta evidência é confundir fatalismo com governação” e o histórico recente não permite complacência. Em junho de 2026, um atropelamento com fuga em Albufeira vitimou mortalmente uma mulher e deixou um homem gravemente ferido; em dezembro de 2025, outro atropelamento com fuga deixou um jovem de 18 anos gravemente ferido; e agora, em 25 de agosto de 2026, dezenas de pessoas foram novamente atingidas na Oura.

“Pode chamar-se ato isolado a um episódio, não se pode, porém, considerar “isolado” um problema de segurança que torna repetidamente possíveis ocorrências desta natureza em locais de concentração de pessoas”.

Nos últimos doze meses outros episódios compõem um mosaico inquietante. Em janeiro de 2026, a GNR identificou oito jovens, entre os 17 e os 19 anos,........

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