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Racismo prêt-à-porter

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02.03.2026

Há ironias que fariam Orwell corar de inveja. O racismo, essa coisa pesada, estrutural, histórica, viscosa, que moldou sociedades, economias e destinos humanos, conseguiu, em pleno século XXI, ser reduzido a um sprint de 12 segundos entre uma alegação e um trending topic.

Hoje, o racismo já não é, necessariamente, uma convicção, uma visão do mundo, uma prática reiterada de exclusão ou desprezo. Não precisa de se manifestar em atos consistentes, em padrões de comportamento, em escolhas de vida. Basta uma palavra. Ou melhor: basta a perceção de uma palavra. De preferência em campo aberto, com câmaras por perto e o algoritmo a postos. O novo racismo é instantâneo, portátil e, acima de tudo, altamente rentável em termos de indignação.

Vivemos a era do racismo performativo: não o que estrutura, mas o que viraliza. Não o que se prova, mas o que se sente. E, sobretudo, o que encaixa na narrativa do momento.

A mecânica é simples. Alguém acusa. Outro, nega. A prova é inexistente ou inconclusiva, um detalhe irrelevante. A realidade é........

© JM Madeira