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A grande ilusão da faixa da esquerda

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24.06.2026

A cena é banal, quase um postal do quotidiano nacional. Seguimos na A1 ou na A2 – no meu caso, na A5 –, o asfalto está seco, o trânsito é moderado, mas há um fenómeno invariável que desafia todas as leis da física e da lógica: a faixa da esquerda está entupida, a do meio está praticamente vazia e a da direita é um deserto.

O que vemos ali, em fila indiana, é o retrato da alma portuguesa. Cada condutor naquela faixa está a ultrapassar o carro da frente. Mas, como o da frente também está a ultrapassar o seu da frente, e assim sucessivamente até ao horizonte, o resultado prático é que ninguém está a ultrapassar ninguém. Estamos apenas todos parados, mas em movimento, numa coreografia estática sobre rodas.

No entanto, e esta é a particularidade genial do nosso transtorno coletivo, cada um daqueles condutores tem a certeza de que é o único que sabe conduzir. O da frente vai devagar? É um “daqueles da........

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