Tem marcação?
Os números de 2025 confirmam o que qualquer português sente na pele. A satisfação com os serviços públicos caiu quinze por cento num único ano, segundo o relatório anual baseado nas reclamações do Portal da Queixa. Entre as entidades públicas mais reclamadas estão a habitação (IHRU), os transportes (IMT), as migrações (AIMA), a saúde (SNS) e a Segurança Social. Tudo aquilo de que uma vida depende.
Não são casos isolados. Não são falhas pontuais. É um padrão.
Os exemplos estão à vista
No IRN, houve quem madrugasse às cinco da manhã à porta de uma conservatória de Lisboa para abrir uma empresa, porque o atendimento prometido era para dali a três meses. A lei manda decidir um pedido de nacionalidade em noventa dias úteis. A realidade decide em dois ou três anos. Os processos pendentes ultrapassam o meio milhão. Em Queluz, a conservatória do registo civil fechou portas por falta total de funcionários.
Na AIMA, os telefones tocam sem resposta. As mensagens ficam sem retorno. As renovações de títulos de residência são marcadas para daqui a meses. Há quem arrisque perder o emprego por um documento que não chega.
No IHRU, dezenas de pessoas fizeram fila de madrugada para disputar uma das vinte senhas diárias de atendimento. O prazo legal de resposta no Porta 65 é de quarenta e cinco dias úteis. Há jovens que esperam meio ano pelo apoio à renda.
E as queixas não vêm só dos cidadãos. As câmaras municipais denunciam a burocracia do instituto na aprovação dos projectos de habitação do PRR. Muitos ficaram travados. Autarcas sem resposta à maioria das candidaturas. Municípios a........
