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Guerras e epidemias

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10.03.2026

Há um certo masoquismo no modo como a humanidade namora a morte. Não lhe bastasse o cortejo das pestes, vai ela e convida também a guerra para o baile, numa intimidade tão antiga quanto as primeiras muralhas da Mesopotâmia. E aqui ficamos nós, espectadores desse espetáculo atroz, tentando entender a coreografia enquanto o teatro arde.

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A história revela que guerra e epidemia são irmãs gêmeas, nascidas do mesmo ventre irracional, corrupto e doentio. Tucídides já contava como a Peste de Atenas ceifou a cidade enquanto os espartanos a cercavam. Os soldados tombavam não só pelas lanças inimigas, mas pelo tifo que grassava entre corpos amontoados e água pútrida. Ironia das ironias: Péricles, o grande estrategista, não morreu em combate, mas vítima da praga que sua própria guerra ajudara a criar.

Trump sobre escolha de novo líder do Irã: 'Grande erro'

Trump diz que decidirá, com Netanyahu, quando guerra com Irã vai acabar

A Peste Negra do século 14 encontrou na Guerra dos 100 Anos o terreno mais fértil que poderia desejar. Exércitos em marcha são portadores ambulantes, levando ratos, pulgas e a morte de povoado em povoado. Um terço da Europa se evaporou. Napoleão perdeu mais soldados para o tifo na campanha da Rússia do que para os cossacos e o inverno implacável. A glória militar francesa afogou-se em fezes e febre.

Veio então a Primeira Guerra Mundial, aquela que seria "a guerra para acabar com todas as guerras". Mas o........

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