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A eleição terá um vencedor. E a população brasileira?

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24.10.2026

Ivanir dos Santos — professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ)

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Quem assumir a Presidência encontrará um país dividido, institucionalmente fragilizado e diante de desafios sociais que não podem ser resolvidos por discursos de ocasião. A urna escolherá um representante, mas não será capaz, por si só, de superar as desigualdades estruturais, reconstruir a confiança nas instituições ou assegurar que os direitos previstos na Constituição sejam efetivamente garantidos a todos os cidadãos. É preciso compreender que a democracia não se esgota no ato de votar. Ela se realiza, sobretudo, na capacidade de transformar a escolha popular em políticas públicas, oportunidades e proteção social. 

Quando a cada eleição uma parcela da sociedade concentra os benefícios das decisões políticas, enquanto outra permanece submetida à precariedade, o que se estabelece não é a plenitude democrática, mas a reprodução das desigualdades. Nesse cenário, preocupa a possibilidade de que a nova correlação de forças no Congresso Nacional, a partir da posse dos parlamentares eleitos, aprofunde resistências a políticas de promoção da igualdade racial, de proteção à liberdade religiosa e de enfrentamento às diversas formas de discriminação. O resultado eleitoral não deve ser analisado apenas pela composição dos governos, mas também pelas ideias que ganham força nas instituições e pelos direitos que podem ser ameaçados........

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