A eleição terá um vencedor. E a população brasileira?
Ivanir dos Santos — professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ)
Siga o canal do Correio Braziliense no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Quem assumir a Presidência encontrará um país dividido, institucionalmente fragilizado e diante de desafios sociais que não podem ser resolvidos por discursos de ocasião. A urna escolherá um representante, mas não será capaz, por si só, de superar as desigualdades estruturais, reconstruir a confiança nas instituições ou assegurar que os direitos previstos na Constituição sejam efetivamente garantidos a todos os cidadãos. É preciso compreender que a democracia não se esgota no ato de votar. Ela se realiza, sobretudo, na capacidade de transformar a escolha popular em políticas públicas, oportunidades e proteção social.
Quando a cada eleição uma parcela da sociedade concentra os benefícios das decisões políticas, enquanto outra permanece submetida à precariedade, o que se estabelece não é a plenitude democrática, mas a reprodução das desigualdades. Nesse cenário, preocupa a possibilidade de que a nova correlação de forças no Congresso Nacional, a partir da posse dos parlamentares eleitos, aprofunde resistências a políticas de promoção da igualdade racial, de proteção à liberdade religiosa e de enfrentamento às diversas formas de discriminação. O resultado eleitoral não deve ser analisado apenas pela composição dos governos, mas também pelas ideias que ganham força nas instituições e pelos direitos que podem ser ameaçados........
