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Teresa Gonçalves Lobo e a síndrome de Stendhal

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23.02.2026

Há instantes em que a arte não se limita a ser contemplada: acontece-nos. A mim, aconteceu-me pela primeira vez no Musée Rodin, em Paris, tinha uns 13 anos. Estava diante de La Cathédrale, de Rodin – duas mãos que se elevam como oração suspensa – quando o mundo começou a perder densidade, como se o ar se tornasse subitamente demasiado fino para respirar. Senti o coração a acelerar, a vista a oscilar, o corpo a abandonar por momentos a lógica do físico para entrar num domínio outro, onde o espírito se adensa e as lágrimas escorrem. Só anos mais tarde percebi que esse abalo tinha um nome: síndrome de Stendhal.

Em 2014, dei finalmente nome ao estremecimento. E desde então ele nunca mais cessou – uma espécie de companheiro secreto que regressa sempre que a beleza se excede e me excede. Regressou então, por exemplo, diante do Guernica, de Picasso, da Mulher à Janela, de Dalí, e regressou também diante d’A Gioconda, com aquele olhar impossível que nos segue sem se mover; diante da sensualidade alongada, quase inumana, d’A Grande Odalisca, de Ingres; e regressou, como um clarão histórico, diante de A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix, onde a bandeira irrompe como se ainda estivesse quente, saída do fogo da rua. Nesses momentos, a alma estremece – não porque seja frágil, mas porque é permeável.

A ciência descreve a síndrome de Stendhal como um distúrbio psicossomático capaz de provocar aceleração cardíaca, tonturas, confusão mental, desmaios e até alucinações quando alguém se confronta com obras de grande intensidade estética. O nome deriva do escritor francês Stendhal (Henri-Marie Beyle), que em 1817, na Basílica de Santa Croce, em Florença,........

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