Licenças parentais: conciliar melhor, sim, mas com rigor e equilíbrio
A proteção da maternidade e da paternidade constitui um dos grandes avanços sociais das últimas décadas. As iniciativas legislativas que propõem alargar de forma significativa a duração das licenças parentais – como aquela que em breve se decidirá na Assembleia da República – nascem de objetivos legítimos e pertinentes. Apoiam-se em preocupações partilhadas por todos: a necessidade de assegurar o cuidado dos filhos durante os primeiros meses de vida, reforçar o envolvimento de ambos os progenitores, apoiar o aleitamento materno e contribuir, na medida do possível, para a resolução do desafio demográfico verificado em muitos países europeus. Contudo, a bondade destes objetivos não isenta o legislador de analisar cuidadosamente todos os impactos da medida proposta.
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A primeira questão que se deveria colocar perante reformas desta natureza é se existe evidência suficiente sobre o seu impacto real. É surpreendente que propostas com importantes implicações sociais, económicas e orçamentais se apresentem, por vezes, sem estudos detalhados que permitam conhecer com precisão os seus efeitos sobre as empresas, os trabalhadores........
