A cova que Passos está a cavar
“O postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer.” A frase é de Pedro Passos Coelho, dita na terça-feira, no auditório da Faculdade de Direito de Lisboa. Quem o ouvia na primeira fila era André Ventura. Se há ironia no ar, é densa.
Porque a descrição serve, involuntariamente, como auto-retrato.
Passos escolheu aparecer ao lado de Ventura e foi ao lado de Ventura que criticou a falta de “ritmo” do Executivo, num evento que era, formalmente, uma ocasião académica sobre constitucionalismo. A presença de Ventura não foi acidental nem logística. Foi uma escolha. E as escolhas dizem sempre mais do que os discursos.
O diagnóstico que foi lá fazer tem a substância política do agrado perpétuo, o líder que governa para as sondagens, o discurso que nunca........
