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Uma imprensa plural e representativa

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26.05.2020

A comunicação social está na “berra” por causa dos subsídios do Estado. Se fosse esse o seu único problema poderíamos dormir descansados. Mas não é. O problema é mais antigo e deve-se à falta de pluralidade e de um jornalismo que seja representativo de todos os sectores da sociedade portuguesa.

A imprensa é um contrapoder essencial para o funcionamento de qualquer sociedade democrática. A sua primeira função é dar informação e o seu conteúdo é determinante para a liberdade. Mas a imprensa actua também como um quarto poder, em complemento dos outros três expostos por Montesquieu. Quando actua como contrapoder, a imprensa está efectivamente a fiscalizar os restantes e tem por isso uma imensa influência na sociedade, pois condiciona a visão que o seu público tem.

Mas este poder só é útil se for usado para promover a liberdade e o pluralismo numa sociedade descentralizada, para divulgar ideias e valores diversificados e uma análise séria mas variada sobre a situação nacional e internacional.

Uma imprensa livre não é obrigatoriamente neutra, pois esse é um eufemismo de quem não quer admitir que os jornalistas têm preferências e ideias políticas próprias. Como qualquer ser humano, e ainda mais como qualquer ser humano directamente envolvido em questões políticas, os jornalistas não são neutros, nem devem pretender ser.

Em Portugal, esta questão é frequentemente distorcida porque os jornalistas tendem a confundir rigor com isenção. Ser rigoroso significa apresentar os factos como eles são e ser isento é não transmitir qualquer posição sobre um assunto. São duas coisas bastante diferentes. Mas os jornalistas portugueses destacam sempre a sua isenção, que terá como consequência lógica, segundo pensam, o rigor no seu trabalho. Na realidade, os bons jornalistas (e não serão muitos) são muito mais rigorosos do que isentos.

É verdade que há situações em que isso não sucede. Um exemplo clássico é o número de participantes em greves que a CGTP anuncia, e que a comunicação social apresenta sempre como sendo verdadeiro, sem qualquer sentido crítico – muitas vezes limita-se a repetir a informação que a CGTP forneceu à Lusa, onde esta central está bem representada.

Ficaram célebres as fotografias no Terreiro do Paço de uma manifestação convocada pela CGTP que não o enchia mas que os jornais anunciaram como tendo meio milhão de participantes, e da Missa celebrada pelo Papa Bento XVI que estava à cunha e que a comunicação social anunciou como tendo 5 vezes menos (100 mil........

© Observador


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