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10 de Junho e o Homem português

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09.06.2026

O actor espanhol Antonio Banderas esteve há dias diante do Papa Leão XIV, em Madrid, e, quando talvez tantos julgassem que dele sairia um discurso expectável vindo de uma figura pública, ainda para mais vinda do cinema internacional, cheio de lugares-comuns sobre diálogo e tolerância, resolveu falar de uma pergunta. Banderas, recordando a Semana Santa da sua Málaga natal, os olhos pregados na imagem da Virgem da Esperança, as procissões que transformavam as ruas em cenários de beleza e mistério, revelou não uma resposta definitiva, mas a pergunta que nele nasceu pelos quatro ou cinco anos de idade: «Deus?» E diria ainda algo que merece hoje uma atenção particular: a ideia de que precisamos de continuar a procurar beleza e verdade. Parece uma revolução.

Nunca como hoje se falou tanto de diversidade, e ao mesmo tempo nunca como hoje se exigiu tanta uniformidade de pensamento. Nunca se falou tanto em ciência e em especialistas e nunca se colocou tanto em causa, ao ponto de silenciar quem, duvidando e fazendo perguntas, devia fazer a ciência avançar. Nunca se proclamou tanto o respeito pelas culturas e nunca se demonstrou tanta dificuldade em reconhecer a cultura que forjou o Ocidente que conhecemos e em que nos formámos. Nunca se exaltou tanto a importância das identidades e nunca se olhou com tanta suspeita para a identidade europeia e ocidental. O cosmopolitismo tornou-se numa espécie de religião do nosso tempo, entre tantas outras, como um dogma........

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