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Luta de Classes no Wi-Fi

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11.08.2026

Há uma hipocrisia profundamente tragicómica na visão de um anfiteatro universitário contemporâneo. Onde outrora se debatia a estrutura do ser ou a gravidade das leis da economia, assiste-se hoje a uma mesquinha pantomima de virtude encenada. O rigor da leitura de biblioteca e o suor da verdadeira erudição foram sumariamente substituídos pela leitura de resumos em folhetos e pela urgência do slogan fácil. Já não se busca a verdade; busca-se a aprovação dos pares numa disputa feroz para ver quem ostenta a auréola moral mais reluzente.

Entram em cena os novos prosélitos da revolução. É um espectáculo digno de nota: o jovem, devidamente sustentado pela conta bancária dos pais e sufocado pelo enfado de uma existência burguesa, sente subitamente a imperiosa necessidade de derrubar o sistema. Faz o sacrifício supremo de proclamar a queda do capital através do ecrã reluzente do seu telemóvel topo de gama, montado nas entranhas do capitalismo neoliberal que jura odiar. A luta de classes é agora travada no intervalo de uma aula, entre o gole de um cappuccino com leite de aveia e a partilha frenética de uma imagem esteticamente irrepreensível.

A indignação converteu-se no acessório de........

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