Quem não governa arrisca-se a perder
O Governo AD está em queda livre nas mais recentes sondagens. O Partido Socialista e o Chega passaram à frente e a AD caiu para terceiro, sete pontos abaixo do que teve nas legislativas. Com eleições hoje, seria provável um governo minoritário do PS, com André Ventura a manter-se líder da oposição, ou um Bloco Central.
Interessa perceber como aqui chegámos.
Antes de tudo, o contexto contamina qualquer avaliação de desempenho do executivo. Combustíveis, habitação e alimentação caros, a encarecer e sem perspectivas de alívio. Os portugueses não estão a passar bem. Nestas circunstâncias, o Governo em funções é sempre penalizado.
Contudo, esta queda deve-se a desgaste acumulado e, sobretudo, auto-infligido.
O Governo desgastou-se porque parece não ter visão. Desde logo, o programa AD não tinha nada de inspirador ou aspiracional: era um manifesto de melhorias que não tocava em nenhum problema estrutural do país. E, fiel a este programa, não deixou trabalho feito. Infra-estruturas paradas: aeroporto, TAP, ferrovia. Segurança social: estudo engavetado. Reforma do........
