O preço do lobby pela hegemonia esportiva
Durante o “Power Players”, evento realizado pela Bloomberg no último dia 11, Jay Marine foi questionado sobre por que o Prime Video tem “muito futebol fora dos Estados Unidos” e poucas propriedades no país, justamente quando Copa do Mundo, Premier League e MLS “estão chegando”.
A provocação de Lucas Shaw, em entrevista publicada dois dias depois, foi suficiente para o chefe de esportes da Amazon admitir que a Copa de 2030 está no radar da plataforma. “Estamos de olho nisso”, respondeu ao jornalista, sinalizando que o torneio poderia incrementar o portfólio bilionário de direitos esportivos da plataforma.
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Se confirmado, a Amazon se juntará à corrida ao lado de Netflix, Disney e YouTube, que também demonstraram interesse em desafiar a Fox pela transmissão do Mundial no país, como mostrei aqui em julho.
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Com um gasto anual estimado em US$ 3,8 bilhões em direitos esportivos pela Ampere Analysis, o Prime Video não economiza para usar o esporte como amplificador de uma base que, segundo Marine, já supera 315 milhões de espectadores mensais em todo o mundo, dos quais 130 milhões estão nos Estados Unidos.
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O “acho que não chegamos a divulgar isso”, usado pelo executivo veterano como despiste, não esconde o quão custoso os esportes são para uma plataforma que despendeu, só em 2025, mais de US$ 22 bilhões em programação de entretenimento, incluindo filmes, séries, música e podcasts.
“Os esportes têm um valor único. Infelizmente, não sou o único que sabe disso, então eles também são excepcionalmente caros.”
Por aqui, Daniela Beyruti, presidente do SBT, que ofereceu R$ 150 milhões pelos direitos da Copa do Brasil e perdeu a disputa com a Globo, é outra executiva de mídia que tem plena noção de quão onerosas se tornaram as propriedades esportivas, tratadas como o último baluarte da indústria.
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Na última semana, em conversa com o jornalista Flávio Ricco, Beyruti pediu “a união do setor para enfrentar a inflação dos direitos esportivos”. Segundo ela, “agora a concorrência não é mais entre nós (televisões)”, uma vez que a disputa envolve as “milhares de ofertas que vêm das plataformas e do YouTube”.
A projeção citada pelo especialista Michael Beach sobre a qual escrevi na semana passada aponta crescimento anual de 3,8% nos custos dos direitos entre 2025 e 2029.
Há dois meses,........
