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Quando o exame assusta mais que a doença

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11.04.2026

Em algum momento, quase todo mundo já passou por isso. Surge uma dor, muitas vezes após um esforço, uma atividade física ou até sem um motivo claro. O médico solicita um exame de imagem, geralmente uma ressonância magnética, e o resultado vem carregado de termos técnicos que assustam. Degeneração, lesão, desgaste, ruptura parcial. A leitura do laudo, frequentemente feita antes da consulta de retorno, transforma um desconforto tolerável em uma preocupação real. O paciente passa a se enxergar de outra forma, como se algo dentro do corpo estivesse quebrado.

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Mas existe uma pergunta fundamental que raramente é feita nesse momento. Será que tudo o que aparece no exame realmente explica a dor? A resposta, na maioria das vezes, é não.

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Vivemos em uma era de enorme avanço tecnológico na medicina. Hoje, conseguimos visualizar estruturas internas com uma precisão impressionante, em cortes milimétricos e em diferentes planos. Isso representa um avanço inegável no diagnóstico de diversas doenças. No entanto, essa mesma capacidade trouxe um efeito colateral importante. Passamos a identificar uma grande quantidade de alterações que, embora reais do ponto de vista anatômico, não necessariamente têm relevância clínica.

Diversos estudos ao longo das últimas décadas demonstraram um dado que deveria ser mais conhecido pelo público. Alterações em exames de imagem são extremamente comuns em pessoas sem qualquer sintoma. Na coluna lombar, por exemplo, hérnias de disco, protrusões e sinais de degeneração aparecem com frequência em indivíduos que nunca tiveram dor nas costas. Em alguns estudos, mais da metade dos adultos assintomáticos apresenta algum tipo de alteração no exame.

O mesmo fenômeno ocorre em outras articulações. No joelho, é comum encontrar lesões de menisco em pessoas que não sentem dor. No ombro, rupturas parciais do manguito rotador podem estar presentes sem qualquer limitação funcional. No tornozelo e no pé, sinais de desgaste ou........

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