Trump reedita a Guerra Fria
Quem assistiu ao discurso de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU e não nasceu em Marte enxergou um imperador desprovido de qualquer pudor em bradar seus anseios de dominação global. O insano presidente dos Estados Unidos não disfarça a natureza colonialista do seu governo. Difícil aceitar, mas o tirano conta com uma legião de dóceis subjugados nestas bandas sulinas, como comprovam os aderentes ao vexaminoso Escudo das Américas.
O cinturão de baba-ovos destinado, formalmente, a combater o narcotráfico internacional batizado por Trump de terrorismo remete a um tempo em que o mundo dividia-se em dois blocos, durante a Guerra Fria. A multipolaridade, um dia quase alcançada de fato, esboroa-se quando os Estados Unidos, como na época do conflito ideológico com a União Soviética, sente a China como polo aglutinador de países a impedir seu predomínio.
Proteger fronteiras e explodir narcotraficantes nunca foi o objetivo de Donald Trump.
Na Guerra Fria, o alinhamento era imposto por rupturas institucionais violentas patrocinadas pelos Estados Unidos – os famigerados golpes militares no Brasil e na Argentina são exemplos, sem falar do atroz golpe chileno, em que morreu Salvador Allende e ascendeu ao poder Augusto Pinochet . Com o Escudo das Américas, Washington adota o formato de coalizão voluntária de governos alinhados ideologicamente ou, antes disso,........
