Na escola, a inclusão ainda se senta na última fila. Opinião de uma professora
A escola afirma que é de todos. Repete que cada aluno tem valor, que a diferença enriquece e que ninguém deve ficar para trás. Porém, quando chega o momento de escolher quem fala, representa e ocupa os lugares mais visíveis, reaparece uma régua antiga.
Escolhem-se os melhores: os que sabem falar, estar e causar boa impressão. Os que obtêm bons resultados, cumprem as expetativas e representam a escola sem imprevistos. Na primeira fila ficam os rostos escolhidos para mostrar o sucesso. Mais atrás, quase por memória ou obrigação, surgem os alunos com medidas seletivas ou adicionais.
São lembrados quando se fala de apoio e inclusão, mas esquecidos quando se distribuem responsabilidades. Como se precisar de ajuda significasse não ter nada para oferecer. Como se comunicar de forma diferente impedisse alguém de ter opinião. Como se necessitar de mais tempo fosse incompatível com decidir.
É nesta contradição que muitas realidades se atropelam. Por um lado, a escola adapta estratégias e mobiliza recursos. Por outro, continua a transmitir que alguns alunos estão destinados a ser ajudados e outros a representar. Uns recebem apoio; outros recebem poder. Uns são protegidos; outros são preparados para liderar.
Os alunos abrangidos por estas medidas vivem emoções que raramente aparecem nos relatórios. Sentem a segurança do apoio, mas também o peso de serem........
