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O Douro já não é um Eldorado

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O Douro resulta de uma história muito particular iniciada em 1756 com a criação, pelo Marquês de Pombal, da primeira região vitivinícola demarcada do mundo. A demarcação do Douro não foi apenas uma medida administrativa; foi um mecanismo de regulação económica e comercial destinado a proteger a qualidade e a reputação do vinho do Porto. Durante os séculos XVIII, XIX e XX, o vinho do Porto tornou-se um dos principais produtos de exportação portugueses, gerando riqueza, estruturando grandes casas exportadoras e criando a ideia de um Douro economicamente poderoso e sustentável.

Contudo, essa imagem histórica tornou-se parcialmente enganadora. O facto de o vinho do Porto ter conseguido, durante muito tempo, financiar uma viticultura de montanha extremamente cara não significa que a atual estrutura produtiva da região continue economicamente equilibrada. O consumo de vinho do Porto diminuiu estruturalmente em muitos mercados tradicionais, o benefício (quantidade máxima de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de vinho do Porto, com um preço de venda de uva garantido), tem vindo a contrair-se e a região enfrenta hoje uma concorrência global muito mais intensa.

A própria geografia do Douro agrava esta vulnerabilidade. Trata-se de uma viticultura de montanha marcada por encostas abruptas, socalcos, grande diversidade........

© SOL