menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Mourinho veste Prada

29 0
18.08.2026

Há um momento em O Diabo Veste Prada 2 que vale mais do que o guarda-roupa inteiro: o final do filme.  Correndo o risco de estragar a surpresa, ei-lo: Andy volta a sentar-se à mesa com a amiga (quase amiga) que a traiu ao tentar comprar a revista onde trabalhava para ficar ela como directora e etc, etc. Não há qualquer confrontação entre as duas, não há sangue, não há sequer uma última cena de vingança satisfatória ou esgar de desprezo. Vemos apenas duas pessoas que decidem tacitamente continuar a existir uma ao lado da outra. Chamemos-lhe perdão, se quisermos ser bíblicos. Ou chamemos-lhe apenas aquilo que os americanos sabem fazer com uma naturalidade clínica: “just tag along”. Décadas de terapia condensadas num aperto de mão.

O filme insiste nesse ponto duas vezes, para quem não tiver percebido da primeira. Miranda Priestly descobre que alguém à sua volta (Andy) anda a escrever, ou pensou escrever, um livro sobre ela — e não faz disso um drama. Não só arquiva o assunto, como não julga e até incentiva o projecto. Mais tarde, ao........

© Sapo