O tempo aproxima pessoas, mas somente a confiança transforma conhecidos em amigos de verdade
Em março de 2018, a Universidade do Kansas divulgou pesquisa de Jeffrey A. Hall sobre a evolução de relações sociais.
O estudo, publicado no *Journal of Social and Personal Relationships*, estimou 50 h para passar de conhecido a amigo casual, 90 h para ser amigo e mais de 200 h para amizade próxima.
Foram analisados 355 adultos recém‑mudados de cidade e 112 calouros universitários acompanhados por nove semanas.
Hall concluiu que, além do tempo, a confiança é essencial para transformar conhecidos em amigos verdadeiros.
Certas amizades parecem começar muito antes do primeiro encontro; outras terminam depois de décadas sem que ninguém consiga dizer quando começaram a morrer. Conversamos com elas e logo sentimos que certas histórias poderiam ter sido contadas muitos anos antes. Em pouco tempo, conhecem nossas fraquezas, nossos medos, nossas contradições, e nós passamos a conhecer as delas. Existem outras que atravessam conosco a escola, o trabalho, os almoços, as mudanças de cidade e quatro décadas de vida sem jamais deixar de ocupar o lugar reservado aos conhecidos. A diferença entre essas duas experiências contém uma das perguntas mais antigas e menos resolvidas sobre a vida em sociedade: o que faz alguém deixar de ser apenas conhecido e tornar-se parte de nossa existência?
Em março de 2018, a Universidade do Kansas divulgou uma pesquisa de Jeffrey A. Hall, professor de Estudos da Comunicação, que tentou colocar números nessa transformação. O trabalho, publicado no Journal of Social and Personal Relationships, estimou cerca de 50 horas de convivência para uma relação avançar de conhecido a amigo casual, aproximadamente 90 horas para chegar à condição de amigo e mais de 200 horas para alcançar a amizade próxima.
O primeiro estudo reuniu 355 adultos que haviam mudado de cidade recentemente e precisavam reconstruir sua vida social. O segundo acompanhou 112 estudantes do primeiro ano universitário durante nove semanas, período em que muitos estavam formando novos vínculos. Hall analisou não apenas o tempo passado juntos, mas também as atividades compartilhadas e o tipo de interação. Conversar, brincar, sair e dividir experiências favoreciam a aproximação mais que a simples presença decorrente de obrigações profissionais ou acadêmicas.
Os números são reveladores, mas deixam intacta a pergunta mais interessante. Se o tempo fosse o principal ingrediente da amizade, aqueles que conhecemos desde a infância seriam sempre nossos amigos mais íntimos e os colegas que atravessaram conosco trinta anos de trabalho seriam quase irmãos. A experiência humana demonstra o contrário. O relógio registra presença; não consegue registrar intimidade.
A amizade contém um salto que o calendário não consegue explicar. Há encontros nos quais duas pessoas reconhecem uma na outra alguma coisa que nem sempre conseguem definir. Uma conversa produz confiança, uma confidência encontra outra confidência, uma dificuldade compartilhada revela caráter e,........
