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Religião como arma política

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O Brasil é um país de muitas crenças, religiões e também de milhões de pessoas que não professam nenhuma fé. É exatamente por isso que o avanço de um discurso político que tenta transformar religião em instrumento de disputa eleitoral é muito grave.

A atual controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida não surgiu do nada. Uma proposta apresentada em 2007, pelo então deputado e pastor Victório Galli, pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O projeto foi arquivado em 2008. Galli ocupou cargo de assessor especial da Presidência da República, em 2019, durante o governo Bolsonaro, e é aliado de Flávio.

Nos últimos dias, essa antiga proposta voltou ao debate e foi associada, nas redes sociais, à candidatura de Flávio Bolsonaro, que nega qualquer intenção de retirar o título. Mas existe uma razão para essa discussão ter causado tamanha repercussão. O próprio Flávio Bolsonaro declarou publicamente que, caso chegasse à Presidência, uma de suas primeiras medidas seria decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

O Estado brasileiro não é católico, evangélico, espírita, judeu, muçulmano ou ateu. É laico. Isso não significa ser contra a religião. Ao contrário: significa garantir que cada pessoa possa professar sua fé sem que o Estado imponha a fé de outra pessoa.

A escalada da disputa chegou ao Tribunal Superior Eleitoral. O ministro e pastor André Mendonça determinou........

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