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Bares Brasil afora XVII – Minha terra – a saideira

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25.02.2026

O autor se despede da coluna semanal "Bares Brasil afora" na Revista Fórum, relembrando bares marcantes de sua cidade natal, Nova Resende (MG).

O texto narra experiências do autor em bares como o Buraco da Onça, onde trabalhou na infância, e o Bar do Américo, palco de um episódio de embriaguez precoce.

A coluna descreve o Inferninho, bar noturno frequentado por homens, e o Bar do Tonho, conhecido por roubos de frango e um peculiar "depósito" das aves.

O autor finaliza com histórias da Churrascaria Balaio, que não servia churrasco, e um incidente inusitado envolvendo o dono do estabelecimento e uma cliente.

Termino esta série lembrando de bares de Nova Resende (MG). Minha vida botequeira começou cedo. Já contei essas histórias por aí, e repito aqui. Mas, antes, explico que a saideira, no caso, não é a última antes de sair do boteco, é a saideira como colunista semanal da Fórum.

“Antigamente” (!) tudo quanto é revista impressa tinha uma crônica na última página. Às vezes, nas revistas mais sérias, era uma crônica despretensiosa, com o propósito claro de dar um respiro num conjunto de textos que exigem reflexão. Fui colunista de várias, inclusive da Fórum impressa. Bom… Revistas impressas hoje são poucas.

Minha ideia aqui era fazer propositalmente textos singelos, meros passatempos, causos e abobrinhas como, repito, um respiro para os textos sérios, reflexivos. Mas sinto que os tempos mudaram, poucos leitores, acredito, se interessam por minhas abobrinhas, então paro de tomar tempo dos editores.

Antes de ser colunista regular, de vez em quando, mandava um texto que julgava apropriado para determinados momentos, e a Fórum publicava. Volto a fazer isso. Muito de vez em quando mesmo.

E como este texto é a saideira, vai em dose maior. Se eram grandes os que publiquei antes, este vai quase em dose dupla.

São muitos e muitos bares pra eu falar, mas vou me limitar a alguns. Saí de lá quando completei 16 anos, mas voltava algumas vezes por ano, até pouco tempo atrás.

Vou começar falando (mais uma vez, já contei muito esta história) do Buraco da Onça, bar que ficava atrás do cinema, vizinho à minha casa.

Funcionava depois que o filme terminava, e ia até amanhecer. De madrugada, algumas prostitutas e “biscates” iam para lá. Era um lugar de gandaia, como se dizia. Com uns 6 anos de idade, eu era doido pra “ficar grande”, só para ir ao Buraco da Onça. Invejava os gandaieiros.

Quando eu já estava no alto dos meus oito anos de idade, o bar mudou para uma casa ali perto, de frente para a praça, e passou a ter que manter as aparências de bar comum, funcionando também durante o dia.

Acontece que os donos, dois sócios, depois de passarem a noite trabalhando e um breve descanso, ficarem sem saco para ficar vendendo doces e picolés durante o dia, precisavam de alguém para trabalhar lá durante um período, de vez em quando.

Eu estava no segundo ano do curso primário, com aulas das 7h às 11h, e tinha a tarde livre. Um dia um dos sócios me perguntou se eu sabia fazer contas. Respondi até meio ofendido: “Claro que sei… Tô no segundo ano do grupo”. Ah, pensem num moleque de 8 anos hoje, se gabando de sua escolaridade.

Ele perguntou então se eu podia trabalhar no bar algumas tardes. Topei. Nas tardes em que me chamavam, eu ficava sozinho ali, atendendo à clientela que não era bem a que eu queria: quase só vendia picolés e doces para crianças, e eu queria era vender cachaça, principalmente a nossa Levanta e Cai, fortíssima, produzida no município.

A maior parte do tempo não tinha nenhum freguês, e eu ficava sentado na porta do bar. Quase todas as tardes, via vir lá longe um manjado cachaceiro e me alegrava. “Eba! Vou vender uma pinga!”.

Quando ele estava perto, cambaleando, eu ia pra trás do balcão e esperava como se não soubesse o que ia acontecer. Ele se aproximava e fazia o pedido:

— Ô, menino! Põe uma Levanta e Cai pra mim.

Punha uma dose........

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