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Os donos da democracia da minha geração /premium

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14.06.2021

1 Uma democracia com cerca de meia centena de anos coloca em risco a vida e a segurança de manifestantes ao denunciá-los a uma embaixada de um país autocrático e corrupto — eis a nova imagem de Portugal transmitida pelos grandes media internacionais às respetivas opiniões públicas.

Além das melhores praias da Europa, da gastronomia e dos vinhos fantásticos, os leitores do Washington Post (Estados Unidos), do Independent (Reino Unido), do Político (lido em toda a Europa) e de muitos outros jornais internacionais que publicaram as peças de agências como a Reuters ou a Associated Press, ficaram também a saber que a Câmara de Lisboa viola grosseiramente há anos a Lei de Proteção de Dados que tanto orgulha a União Europeia fornecendo a identidade e as respetivas moradas de manifestantes russos pró-democracia à embaixada de Vladimir Putin, de protestantes palestinianos à embaixada de Israel e provavelmente de venezuelanos à embaixada que responde a Nicolás Maduro.

E o que faz Fernando Medina perante este reforço extraordinário da reputação de Portugal como país que não ajuda ditaduras a perseguir os seus próprios cidadãos? Pouco mais do que o óbvio pedido de desculpa “aos promotores da manifestação”, como a luso-russa Ksenia Ashrafullina, e a “todos os cidadãos” e o inquérito da praxe — uma tradição dos políticos portugueses que costuma ser tão eficaz na obtenção de explicações como o conhecimento da Câmara de Lisboa sobre o Regulamento Europeu de Proteção de Dados, transposto para a lei nacional. Medina suspendeu alguém de funções até a conclusão do inquérito/auditoria? Negativo. Alguém apresentou a demissão? Igualmente negativo porque o funcionalismo público (e privado) nacional prefere o ‘sacudir a água do capote’ a colocar a mão na consciência.

2 Já aqui escrevi várias vezes que António Costa redefiniu desde 2015 o conceito de responsabilização política para o chamado grau zero. Ou seja, nenhum membro do Governo é responsável por nada, mesmo quando há prova irrefutável em sentido contrário. E, regra de ouro, a existir responsabilização, tal só acontecerá quando o respetivo caso cair no esquecimento da Opinião Pública.

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Se assim é, não admira que Fernando Medina se refugie na extinção dos governos civis (omitindo que foi no tempo de António Costa como líder da autarquia que as comunicações da identidade dos manifestantes começaram a........

© Observador


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