Da polis ao Rossio: a habitação pede razão, não revolução
A crise de habitação que se vive hoje em Portugal é um resultado direto da displicência deste Governo e da incompetência de antigos Governos do PS.
Sim, este é um problema que afeta o país, mas o diagnóstico das causas está mais do que feito. O importante é encontrar uma solução.
Isto leva-me a um ponto que muito raramente é mencionado. A política é uma ciência. Ciência esta que estuda, entre outras matérias, a origem do Estado e do poder. A decisão política, enquanto exercício do poder por parte dos titulares dos órgãos políticos, tem vários requisitos jurídico-constitucionais, mas há um valor material sem o qual os outros requisitos formais perdem sentido: a racionalidade. Para aplicarmos esta tese ao problema da habitação, temos de procurar informação factual. Ora, se passamos de um contexto em que construímos entre 100 mil e 125 mil fogos por ano, no final dos anos 90 e início dos anos 2000, para um cenário diametralmente oposto em que passamos a construir entre 7 mil e 20 mil fogos por ano entre 2012 e 2016 — e se ainda só estamos a construir entre 20 mil e 27 mil fogos por ano (dados até 2025) e esperamos que os dados de 2026 reponham a situação que tínhamos em 2010 —, a conclusão racional é fácil: a principal causa da falta de habitação é a queda muito acentuada da oferta. Até porque a nossa população subiu mais de um milhão de residentes num espaço de sete anos. Poderemos falar também do problema do turismo, localizado e específico, mas esta subida muito significativa, que se deveu a uma imigração desregulada e irresponsável, costuma ser ignorada por aqueles que sentem muita empatia com as “acampadas” e que insistem em culpar o atual Governo.
A entrada de perto de um milhão de imigrantes num país com 10/11 milhões de habitantes em tão poucos anos (só entre 2015 e 2024, o número de residentes estrangeiros aumentou........
