A casa emprestada
Na semana passada soubemos da existência do Movimento Mulheres Conservadoras Portugal, movimento que se propõe defender valores conservadores – como família tradicional, cristianismo na vida pública e oposição ao aborto – que diz ameaçados. Não se diz religioso, mas as imagens remetem para o imaginário religioso. Em causa não está a fé de ninguém, mas as suas ligações e instrumentalização política.
O lançamento fez-se em dois momentos: primeiro num palacete municipal em Sintra, onde uma vereadora do Chega recebeu deputadas do partido, uma emissária do Partido Liberal de Bolsonaro e mulheres próximas do PSD e do CDS-PP; depois, no próprio gabinete do Chega, na Assembleia da República. Que mulheres conservadoras se organizem é, em si, democracia; a liberdade das deputadas não está em causa. O que muda de natureza é o meio – e as ligações que daí podem resultar, cujas consequências conhecemos: nos Estados Unidos, a reversão, em 2022, de um direito ao........
