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Famílias brasileiras dizem defender liberdade, mas querem internet controlada pelo governo

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22.06.2026

Pesquisa exclusiva da Market Analysis em parceria com o Family Talks revela algo forte sobre internet: 72% dos brasileiros apoiam a adoção, no Brasil, de uma legislação semelhante à australiana para restringir o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Ao mesmo tempo, 61% dizem que são as famílias quem devem decidir a relação entre os filhos e internet.

A pesquisa vai muito além desses números, contraditórios entre si. Mostra um país acuado diante da tecnologia, convencido de que a família deve proteger seus filhos, mas cada vez mais disposto a entregar ao Estado o controle da porta de entrada da internet.

O estudo ouviu 1.011 brasileiros adultos, das cinco regiões do país, de todas as classes socioeconômicas, entre 1.º e 16 de janeiro de 2026. A amostra foi organizada com cotas cruzadas de região, idade, sexo e classe social, para garantir representatividade dos diferentes grupos demográficos. A pesquisa foi realizada pela consultoria Market Analysis em parceria com o Family Talks, uma ONG brasileira, classificada como OSCIP, que atua no fortalecimento das famílias no debate público.

O Family Talks surgiu a partir da Associação de Desenvolvimento da Família, criada em 1978, e passou a atuar com advocacy desde 2017. Sua frente de trabalho envolve relações governamentais, produção de pesquisas e atuação na opinião pública, sempre com a tese de que famílias fortalecidas são uma estratégia central de proteção social. Isso importa porque a pesquisa não parte de uma visão que despreza a família. Ao contrário, ela coloca a família no centro do problema. Justamente por isso, o resultado é tão relevante.

Segundo o levantamento, 58,8% dos entrevistados afirmam que as redes sociais prejudicam mais do que beneficiam crianças e adolescentes. Entre aqueles que enxergam prejuízo maior, o apoio à regulação cresce. A conclusão é intuitiva: quanto mais a pessoa percebe dano concreto à saúde mental, ao desenvolvimento, ao bem-estar e à rotina dos jovens, mais ela aceita uma intervenção estatal sem nem questionar as consequências.

Não basta dizer que os pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos. É preciso perguntar se eles sabem como fazer isso. Vamos ao mínimo do mínimo. É preciso que os pais saibam diferenciar configuração de privacidade de controle parental

Não basta dizer que os pais precisam acompanhar a vida digital dos filhos. É preciso perguntar se eles sabem como fazer isso. Vamos ao mínimo do mínimo. É preciso que os pais saibam diferenciar configuração de privacidade de controle parental

A pesquisa também mostra que esse apoio é amplo e transversal. Não aparece apenas entre pais, mães, conservadores, progressistas, pessoas com filhos ou grupos específicos. Homens e mulheres, pessoas com e sem filhos e diferentes perfis de uso digital demonstram apoio expressivo à ideia de restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. O tema, portanto, já deixou de ser uma preocupação de nicho. Virou um consenso social em formação.

O Brasil segue uma tendência internacional. Na Austrália, cerca de 70% dos adultos apoiam a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos. Uma pesquisa da Ipsos realizada em 2025, em 30 países, indicou que, em média, 71% defendem restrições para crianças abaixo de 14 anos. Na Europa, países como França, Espanha e Portugal discutem ou implementam medidas semelhantes. Nos Estados Unidos, o debate mistura consentimento parental, saúde mental, segurança online e responsabilização das plataformas. Nada disso torna a solução........

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