Eleição na Colômbia
A “hipnose” das pesquisas pode alimentar um excesso de otimismo, um perigo real e imediato que ameaça alimentar erros irreparáveis de linha política no comando da campanha. A eleição permanece indefinida
“Mais vale cautela que arrependimento” (Provérbio popular português).
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia acende um alerta vermelho, também, para as eleições de outubro no Brasil. Ivan Cepeda, candidato pelo Polo Patriótico com o apoio de Gustavo Petro, esteve nas pesquisas em primeiro lugar durante meses, até além das margens de erro, mas terminou com 40,9% e foi ultrapassado por Abelardo de la Espriella, de extrema direita, com 43,7%.
A soma dos votos dos votos de Abelardo e Paloma Valencia, que foi apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, totaliza 50,7%. O segundo turno acontecerá já em 21 de junho, em três semanas, sinalizando, portanto, um cenário muito difícil. A maioria das pesquisas erraram a previsão do desenlace na Colômbia. Elas não captaram a explosão na reta final de Abelardo de la Espriella, um fenômeno de subestimação da extrema direita que já aconteceu antes, inclusive no Brasil, recentemente, com Pablo Marçal, sugerindo erros metodológicos na aferição.
Além disso, houve a mudança inesperada de milhares de locais de votação horas antes das eleições, e supressão de votos em áreas populares. Mas as razões de um desfecho, por enquanto, desfavorável repousam numa avaliação mais complexa sobre os limites da experiência dos governos progressistas que somente a esquerda colombiana poderá fazer, plenamente. Nosso papel é apoiar uma luta que não se encerrou.
Isto posto, parece incontornável, depois da derrota do peronismo na Argentina diante de Javier Milei, do MAS na Bolívia, e de Gabriel Boric no Chile, que há um padrão do qual devemos retirar lições. Um pouco de perspectiva é necessário. Além da reeleição de Nayib Bukele em El Salvador e a vitória de Javier Milei nas eleições do segundo semestre de 2025 na Argentina, no Equador, Daniel Noboa, reeleito em abril de 2025, derrotando Luísa González, liderança herdeira de Rafael Correa, que governou entre 2007/17, consolida um regime autoritário.
No Chile, José Antonio Kast que venceu as eleições........
