Marketing do caos e as eleições 2026
A política institucional brasileira assiste a um duplo esgotamento se de um lado, a saturação da espetacularização violenta; de outro, há o cansaço das velhas fórmulas discursivas que já não dialogam com a realidade concreta das ruas. Para as novas lideranças e candidaturas que pretendem disputar os rumos do país, compreender essa virada estética e conceitual não é apenas uma questão de sobrevivência eleitoral, mas de responsabilidade democrática.
O colapso da "política do caos" e o "marketing de emergência"
Nos últimos anos, fomos inundados por uma farsa fantasiada de fiscalização. Parlamentares e influenciadores que invadem hospitais, entram em salas de aula para constranger professores e ridicularizam servidores públicos em seus locais de trabalho criaram a chamada "política do caos". Essa tática aposta no desespero, no escândalo instantâneo e no linchamento virtual para gerar engajamento.
No entanto, o eleitorado começa a perceber que o barulho dessas invasões não cura uma doença, não melhora a nota da escola e não resolve a fila do serviço público. O chamado marketing de emergência — que vive de fabricar crises diárias para vender indignação em vídeos de trinta segundos — mostra sinais claros de fadiga. O caos cansa e a humilhação de trabalhadores públicos gera repulsa no cidadão comum que depende daqueles serviços. Há um desejo latente pelo retorno às práticas do cotidiano, pelo acolhimento e pela construção de soluções reais, e não pela performance do desmonte.
O anacronismo dos chavões e a lição da "estratégia identitária"
Se a extrema-direita se desgasta na pedagogia da crueldade, setores do campo progressista muitas vezes pecam pelo anacronismo. É o que podemos chamar de "estratégia babu", em referência à participação do ator Babu Santana no Big Brother Brasil. Naquela edição, o participante acreditou que a mera repetição de chavões históricos e jargões do passado,........
