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O silêncio ensurdecedor sobre Cuba

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27.08.2026

Há dez dias, publicamos neste espaço o artigo Cuba: a Gaza do hemisfério que Trump chama de seu. Desde então, os fatos não apenas confirmaram o que escrevemos. Acrescentaram uma pergunta ainda mais incômoda: quanto sofrimento é necessário para romper o silêncio? 

O historiador João Carvalho acaba de voltar de Cuba. Encontrou uma população submetida a uma crise que muitos cubanos já consideram pior que o Período Especial, depois da dissolução da União Soviética. Não encontrou um povo rendido. Encontrou consciência política, dignidade e resistência.  

Carvalho não foi a Cuba apenas para observar. Participou de uma missão de solidariedade que arrecadou recursos para ajudar na recuperação de equipamentos do Centro Fidel Castro Ruz e na compra de medicamentos básicos, selecionados de acordo com as necessidades apresentadas pelos cubanos. 

Antibióticos. Analgésicos. Antipiréticos. Anti-inflamatórios. Remédios comuns no Brasil. Remédios que, em Cuba, podem separar a doença da recuperação — e, às vezes, a vida da morte. João voltou com uma definição: o bloqueio é “um genocídio a conta-gotas”. 

Não há uma crise. Há um crime

Seis meses antes, em fevereiro, a atriz cubana Ikay Romay havia escrito uma carta aberta ao mundo. Não pediu dinheiro. Não pediu soldados. Não pediu caridade. Pediu que o mundo olhasse para Cuba. 

Falou de idosos à espera de medicamentos, de hospitais sem materiais básicos, de famílias sem comida e de crianças ameaçadas pela falta de eletricidade que paralisa a ilha. E escreveu: Não há uma crise. Há um crime. 

A carta percorreu as redes sociais. Comoveu, recebeu compartilhamentos e desapareceu no fluxo incessante das notícias. O sofrimento continua. 

O que Romay denunciou, Carvalho encontrou. Entre os dois relatos há seis meses de distância — e o mesmo abandono. Cuba não deixou de sofrer. Nós é que nos acostumamos ao seu sofrimento. 

Até a solidariedade virou ameaça 

Enquanto este artigo era preparado, Trump transformou a asfixia presente numa promessa de asfixia permanente. Em decisão publicada oficialmente nesta terça-feira, 25 de agosto, e repercutida na quarta, 26, prorrogou até 14 de setembro de 2027 os poderes empregados para manter o bloqueio contra Cuba. 

O documento........

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