Os duros não dançam, mas levam baile. Editorial de Rui Tavares Guedes
Neste tempo de emoções efémeras, teleguiadas por algoritmos, ainda há artes antigas, amadurecidas ao longo de séculos, com o poder extraordinário de mudar narrativas, exibir os pontos fracos do oponente e, com uma delicadeza estudada, fazer virar o jogo a seu favor. A diplomacia e a retórica são duas dessas artes, que quando usadas em conjunto transformam-se em autênticas armas de poder.
Nas últimas semanas, tivemos dois bons exemplos dessa forma de ação. Primeiro, com o discurso proferido por Carlos III, de Inglaterra, perante o Congresso dos EUA: uma intervenção em que o humor foi usado como técnica para desengatilhar sentimentos hostis. Mas também um discurso em que as evocações históricas permitiram definir claramente as distâncias entre Londres e Washington e em que, finalmente, a ironia funcionou como um grito poderoso e mordaz, que deixou o alvo subliminar – Donald Trump − encurralado entre duas alternativas: ficar calado ou, se respondesse, cair no ridículo. O mais importante, mesmo assim, foi que ao celebrar os valores do Iluminismo e a defesa intransigente da democracia perante as ameaças autocráticas do........
