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A guerra que revela a fragilidade estratégica da Europa

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13.03.2026

As guerras têm uma capacidade singular: revelar em semanas aquilo que a diplomacia consegue ocultar durante décadas. Quando começam, desaparecem as ambiguidades, desmoronam-se equilíbrios cuidadosamente construídos e tornam-se visíveis as verdadeiras relações de poder que estruturam o sistema internacional.

A nova escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão tornou-se precisamente um desses momentos de revelação. Mais do que reacender tensões no Médio Oriente, o conflito funciona hoje como um espelho incómodo para a União Europeia. Perante a crise, o continente expôs uma realidade que analistas vêm apontando há anos: a Europa continua profundamente dividida sobre a forma de reagir a crises estratégicas globais — e permanece, em larga medida, dependente de decisões tomadas fora do seu próprio centro político.

Desde os primeiros dias da escalada militar, as capitais europeias reagiram de forma desigual e, por vezes, contraditória. Bruxelas apelou à contenção e ao diálogo, defendendo uma solução diplomática e alertando para o risco de expansão regional do conflito. Em paralelo, vários governos nacionais começaram a emitir posições próprias — algumas fortemente alinhadas com Washington, outras marcadamente cautelosas e outras ainda críticas da lógica de novas intervenções militares na região.

O resultado foi uma resposta europeia fragmentada, reforçando a perceção de que o bloco continua a carecer de uma política externa verdadeiramente integrada. Como observou o analista Jeremy Shapiro, do European Council on Foreign Relations, “a Europa fala frequentemente de autonomia estratégica, mas quando começam crises militares torna-se evidente que a decisão real continua a ser tomada em Washington”.

Esta fragmentação não resulta apenas de diferenças ideológicas entre governos. Ela reflete interesses estratégicos distintos que atravessam o continente. Países situados no flanco oriental da Europa, particularmente aqueles que se sentem diretamente ameaçados pela........

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