Estaremos a confundir memória com conhecimento? Opinião de uma professora
Sentado à secretária, livro aberto, caneta na mão, a repetir frases até conseguir reproduzi-las sem olhar para a página. Há uma imagem de aluno que desde sempre nos foi familiar. Decora a definição. Decora a fórmula. Decora a data. Decora o nome. Na véspera do teste, sabe tudo. No dia seguinte, talvez já saiba um pouco menos. Uma semana depois, provavelmente quase nada. Mas teve boa nota. E nós, satisfeitos, chamamos a isso aprendizagem.
Talvez esteja na altura de admitir que andamos há demasiado tempo a confundir memória com conhecimento.
Não, memorizar não é inútil. Pelo contrário. A memória é uma das ferramentas fundamentais da aprendizagem. Uma criança que aprende a ler precisa de memorizar sons, palavras e padrões. Quem aprende uma língua precisa de guardar vocabulário. Quem aprende matemática precisa de dominar operações e conceitos. Não podemos pensar sobre aquilo que desconhecemos.
O problema não está em memorizar. O problema está em acreditar que memorizar chega.
Um aluno pode decorar a definição de democracia e não compreender verdadeiramente o que significa viver numa democracia. Pode saber de cor a data de uma batalha e não conseguir explicar porque aconteceu. Pode decorar uma regra gramatical e continuar a escrever........
