Ao meu amigo Acaz Fellegger
Ao meu amigo Acaz Fellegger
Fellegger, meu amigo. Você nos deixou. Eu não sei ainda se acredito. E também não sei se vou me perdoar um dia por não ter te dado tchau.
Você se lembra da minha última ligação a você? Foi em maio, acho. Fazia um tempo que não nos falávamos. E um amigo em comum me disse que você não estava legal de saúde. Eu te liguei. Você atendeu daquele jeitão de sempre. Meio Zé braveza. "Fala Julio. Do que você precisa?". E eu te disse. Não preciso nada, Acaz, só queria saber como você está. E você me pareceu bem, sei lá, talvez não tenha querido me assustar ou incomodar. Mas havia algo diferente naquela ligação. Alguma confusão em alguma frase. E você não era confuso em nenhuma frase. Tinha algo estranho ali. E você me pediu para ir te visitar na tua casa. E eu não fui, meu amigo. Não fui porque estava na correria do Mundial de Clubes, e depois eu realmente esqueci, e depois tem a loucura do dia a dia, muito emprego, muito filho, muito hobby, muitas tarefas.
Sempre temos uma desculpa, né, amigo? No meu caso, levarei para sempre esse remorso. A verdade é que não tem desculpa. Agora entendo que você queria se despedir. E eu não fui.
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Eu lembro muito bem de quando te conheci. Copa de 2002. Quer dizer, eu te conhecia de antes. Era um consumidor voraz de esportes. E você era o Acaz de Almeida. Repórter da Gazeta. Aí mudou para o Sportv e virou Acaz Fellegger. O austríaco Fellegger. Foi uma boa decisão, amigo, sempre te disse isso quando estávamos no terceiro copo. Ou quarto. Quando cheguei lá na Coreia, você era o uma espécie de assessor de imprensa extra oficial da seleção. O da CBF era o Rodrigo Paiva. Mas você era o do Felipão e uma penca de jogadores. A turma do Palmeiras-Parmalat.
Eu te achava muito bravo. Tinha até medo de você, eu tinha só 22 anos, era um moleque na primeira Copa. Um ano e pouco depois daquela aventura, eu estava em Madrid, já tinha ido morar lá, e precisava ir a Lisboa para pegar minha cidadania portuguesa. Outros tempos. Nada era tão fácil e tão barato como hoje, eu precisava dar um jeito de ir para Lisboa. Tomando banho, pensei. "Pô, vou ligar para aquele Acaz e ver se ele descola uma entrevista com o Felipão para vender aqui na Europa". E eu criei........
