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O bolsonarismo agora é mais silencioso, mas tão nocivo quanto foi uma vez

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19.09.2026

O bolsonarismo agora é mais silencioso, mas tão nocivo quanto foi uma vez

Em política, como em todo assunto que vale a pena, há sempre algo que permanece incompreendido. Tudo agora é quase idêntico ao que já vimos no cenário brasileiro, estamos diante da mesma eleição travada outras vezes, a mesma eleição que nos incendiou há oito e há quatro anos, que exigiu de nós a máxima verve e o máximo empenho. E, no entanto, há algo de diferente, uma mudez maior espalhada por toda parte, uma apatia que não se confunde com indiferença, a entrega a um desfecho que parece além do nosso alcance, que nos transcende. E assim a data fatal se aproxima e tudo segue com alguma discrição, imprevisível e incerto.

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Quando a realidade é tão conhecida e ainda assim provoca estranhamento, parece que a razão estremece, a linguagem costumeira já não explica o que os olhos veem. Penso isso a cada vez que volto a ler as profusas explicações sobre o bolsonarismo, esse movimento que tomou de assalto o país e lhe deu uma face irreconhecível, face em que se acentuam seus traços mais sinistros. Por alguns anos essas explicações foram reveladoras, elucidaram algo do horror do país ao passo que o associaram a horrores mais vastos, ao crescimento da extrema direita que tem se dado no mundo inteiro. Agora não sei, é possível que tais ideias continuem tão precisas quanto antes, mas ainda assim se mostram insuficientes.

Que o bolsonarismo........

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