menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

De todas as esquisitices das Olimpíadas de Inverno, o curling está no topo

12 0
14.02.2026

Escritor e roteirista, autor de "Por quem as panelas batem"

Recurso exclusivo para assinantes

Varre, varre, vassourinha

De todas as esquisitices das Olimpíadas de Inverno, o curling está no topo

Seria a intenção remover da frente do falso aspirador possíveis ácaros?

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

De quatro em quatro anos acontecem as Olimpíadas de Inverno, um evento que tem como fator mais interessante sua própria existência. Durante um mês todos os brasileiros veem, embasbacados, aqui e ali, notícias sobre esportes que nem sabíamos existir, cujas regras jamais entenderemos, muito menos a graça. Aí esse mês acaba e esquecemos o assunto por mais um quadriênio.

De todas as esquisitices das Olimpíadas de Inverno está, no topo, disparado, o curling.

Uma pessoa lança o que parece ser um robô aspirador de pó, mas claramente não é, ou não seria necessário a outra pessoa ir correndo na frente com uma vassourinha, o que me parece curiosíssimo, pois o gelo desta espécie de bocha invernal está sempre limpíssimo. Seria a intenção remover da frente do falso aspirador possíveis ácaros? Ácaros seriam capazes de desviar o disco de seu caminho? Seria um esporte para germofóbicos?

Algum ser humano já viu jogarem curling em qualquer lugar ou momento que não nas Olimpíadas de Inverno? Será que na Islândia os amigos se telefonam domingo à tarde, "Ei, Sbörnz, aqui é o Ørgnun, tô indo com o Grüntzåvz bater um curling na pracinha. Bora?". Será que algum marido já chegou em casa bêbado, com batom no colarinho, jurando à esposa que estava no curling, como toda terça à noite? "Olha aqui minha vassourinha, Bærthä!"

Depois do curling, em ordem de bizarria, vem o biatlo, que consiste numa prova unindo corrida de esqui e tiro ao alvo. Imagino que tenha sido criada no passado por pessoas muito famintas ou apertadas para ir ao banheiro. Ou então por assaltantes alpinos em fuga. Foge, foge, foge, atira na polícia, foge, foge, foge, atira na polícia.

Acho, inclusive, que, assim como o arremesso de dardos nas Olimpíadas de Verão, o biatlo ganharia muito em interesse se os alvos fossem os outros competidores —ainda mais com o belíssimo contraste entre o vermelho do sangue e o branco da neve, atrativo que se perderia na grama do dardo.

Depois do curling e do biatlo, vêm as brincadeiras de criança. Diversas formas de trenozinhos: de frente, de costas, em grupo —duas ou quatro pessoas.

O esporte do trenó em grupo chama bobsled, cuja tradução é "trenó do Bob", embora ninguém saiba quem é (ou foi) o tal Bob.

Será obrigatório que em toda dupla ou quadra haja pelo menos um atleta chamado Robert? Mudar o nome para Robert semanas antes das Olimpíadas seria considerado algo análogo ao doping? "Descobrimos que a dupla da Áustria, vencedora, entrou com um Franz e um Adolf, por isso está eliminada", diria um membro da Wada. "Meu nome é Franz, mas meu apelido é Bob! Eu tinha dreads na adolescência e me chamavam de Bob Marley! Pode ver no meu Insta!" "Lamentamos, Franz, as regras são claras. Volte quando for criado o Franzled."

Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha

Por fim, mas não menos absurdo, está o esporte favorito dos masoquistas, o esqui alpino, em que o atleta desce uma piramba fazendo zigue-zague e tendo a obrigação de ser espancado por dezenas de estacas durante o trajeto —55 a 75 para homens, 40 a 60 para as mulheres, me diz a IA. (Imagino que para elas sejam menos estacas por conta dos peitos, pois dói mais, embora sendo uma modalidade para masoquistas, devesse ser o contrário). No fim, os esportistas tiram suas blusas e quem tiver mais roxos vence (Caso vomite pelo zigue-zague, ganha pontos adicionais).

(Meu amigo Chico Mattoso jura que não só conhece as regras do curling como é um aficionado pelo esporte, mas acho que é só para pagar de excêntrico, assim como quem, num bar, pede fernet branca. Que, aliás, é preta. Mas isso é assunto para outra crônica. Basta de bisonhices por hoje).

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login

Recurso exclusivo para assinantes

Leia tudo sobre o tema e siga:

sua assinatura pode valer ainda mais

Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

sua assinatura vale muito

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Leia outros artigos desta coluna

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2026/02/varre-varre-vassourinha.shtml

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

notícias da folha no seu email

notícias da folha no seu email

Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.

Beach tennis decolonial

Beach tennis decolonial


© UOL