Recordar velhos tempos
Entre os dois fins de semana de Rock in Rio, tenho aproveitado para pôr a leitura em dia.
Os escritores portugueses continuam a praticar uma forma muito peculiar de assalto à carteira. Não usam máscaras nem armas. Usam apenas boas frases e bons temas que transformam em livros maravilhosos.
Na Feira do Livro de Lisboa entrei no stand da LeYa. Foi o meu primeiro erro. O segundo foi aproximar-me da mesa das novidades.
Lá estavam eles, os novos livros de Luísa Sobral e de Lídia Jorge, lado a lado, como duas pessoas à espera do autocarro, mas de universos completamente diferentes.
O livro da Luísa parecia olhar para mim com ar cúmplice:
– Anda cá. Tenho histórias do quotidiano. Vais rir-te.
O da Lídia Jorge mantinha uma expressão literariamente séria:
– Aproxima-te. Vamos refletir sobre a condição humana durante as próximas 208 páginas.
Devorei-os em dois dias.
Da Minha Janela, de Luísa Sobral, são pequenas histórias que abrem........
