Segurança Social, a gaveta da cobardia política
Não perco um único segundo a dissecar a mais recente pirueta societária da Parpública na REN. Gastar centenas de milhões de euros do contribuinte para recomprar uma participação minoritária a um investidor privado europeu, sob o pretexto balofo da soberania, enquanto a China mantem, através da estatal State Grid e de participadas da Fosun, mantém intacta e soberana a sua hegemonia direta e indireta de mais de 30% no capital do operador da rede, é um exercício de ilusionismo geopolítico que apenas diverte a corte partidária.
Tampouco dedicarei linhas ao enésimo episódio de desrespeito pelas instituições e pela legalidade republicana a que assistimos recentemente, nessa “ilegalidade do bem” como cunhei todo o comportamento protagonizada pelo xerife de Portugal e da PJ, como tão bem e certeiramente o apelidou João Miguel Tavares nas páginas do Público. Infelizmente o país anestesiou perante o arbítrio e habituou se ao circo das distrações diárias.
O que verdadeiramente nos devia tirar o sono, e que exige de nós o rigor técnico e a coragem cívica que escasseiam nas instâncias de decisão, é o colapso silencioso e matemático do nosso sistema de previdência social.
Esta semana assistimos a um espetáculo grotesco de cobardia política. O Professor Jorge Bravo apresentou o exaustivo relatório do grupo de trabalho que coordenou sobre a sustentabilidade do sistema de pensões em Portugal. Um trabalho de fundamentação académica irrepreensível que propõe uma mudança de paradigma: a transição para um modelo de contas nocionais, a criação de pilares complementares de poupança e o fim da ilusão contabilística dos superavit fictícios alimentados pela transferência de responsabilidades da Caixa Geral de Aposentações.
Qual foi........
