Como estar presente para quem perdeu um filho sem usar palavras vazias
No Dia da Mãe saiu o primeiro single do meu novo EP. (Mãe, um EP é um disco, mas com menos canções). A música chama-se Words e uma parte da letra diz “Words won’t help me today, words are full of doubt”. Escrevi-a para uma das minhas melhores amigas quando ela passou pelo pior pesadelo de qualquer família: perder um filho.
O que aprendi, ao testemunhar a sua dor, foi que por mais que amemos alguém, não conseguimos partilhar a experiência a não ser que passemos por ela. As palavras tornam-se ocas. E quando não temos palavras só podemos oferecer a nossa presença. Mas não é confortável ficar na dor de alguém. Ficar ali ao lado sem conseguir resolver, acelerar o processo ou curar. Por isso, vamos atirando palavras que, na melhor das hipóteses, não fazem sentido para quem está naquele sofrimento e, na pior, são facas que se espetam na ferida, por muito boas que sejam as intenções.
Mãe, eu sei que não há manuais porque cada pessoa vive o luto da sua maneira, mas pelo que testemunhei, pelo que leio, há algumas armadilhas comuns que podemos aprender a evitar. Frases como “Ah, mas pelo menos ainda tens os outros”, “Pelo menos ainda foi na gravidez”, “Ainda era pequeno”,........
