Regionalização: quando o poder tem de descer para o país sub
Durante muitos anos, sempre que alguém falava de regionalização, eu revirava os olhos. Para mim, era um daqueles temas recorrentes da política portuguesa: mal explicados, mal defendidos e quase sempre usados como pretexto para criar mais cargos, mais estruturas e mais despesa. Um problema artificial para justificar soluções artificiais.
Hoje penso exatamente o contrário.
E não mudei de opinião por ter ficado mais “sensível” ao tema ou mais ideológico. Mudei porque a realidade foi mais teimosa do que eu, e isso não é fácil de admitir.
Portugal continua a ser governado como se fosse pequeno, homogéneo e previsível. Não é. Nunca foi. E as crises recentes trataram de o demonstrar com uma clareza quase pedagógica. Incêndios que se repetem todos os verões, cheias que deixam cidades submersas em poucas horas, tempestades que expõem fragilidades conhecidas há anos. A resposta? Centralizada, lenta, uniformizada. Demasiado longe do terreno e, quase sempre, demasiado tarde.
É perante esta chuva de realidade que, para mim, a regionalização deixa de........
