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O Inverno da Vontade: Porquê continuar?

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27.04.2026

Há um silêncio que cresce na Europa. Não é o silêncio respeitoso das bibliotecas ou o das catedrais, é o silêncio terminal das casas sem crianças. Um continente que, durante séculos, se expandiu, colonizou e moldou o mundo através da ciência e da cultura, confronta-se hoje com uma evidência que a política teima em maquilhar: a Europa desistiu de se substituir a si própria.

Portugal é o rosto deste deserto. Com uma taxa de fecundidade estagnada nos 1,3 filhos por mulher, cada geração é, matematicamente, uma sombra menor da anterior. O fenómeno repete-se em Itália, Espanha ou Alemanha. Sociedades tecnologicamente avançadas, financeiramente estáveis, mas demograficamente moribundas.

Historicamente, o veredicto é cruel: civilizações não colapsam apenas por invasões bárbaras ou crises bolsistas. Colapsam também quando deixam de ter filhos. O Império Romano, o pilar sobre o qual nos erguemos, enfrentou este mesmo “vazio” antes da queda. A........

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