Política sem responsabilização
No próximo domingo, os brasileiros irão às urnas para eleger deputados federais, estaduais, senadores, governadores e, claro, para aferir a força eleitoral de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, na primeira volta das eleições presidenciais. Há quatro anos, a margem final entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro, na segunda volta, foi de apenas 1,8 pontos percentuais e tudo indica que, este ano, a contenda será igualmente renhida. A disputa entre os dois candidatos está tão polarizada que as candidaturas alternativas quase se esvaziaram, em parte devido ao apelo ao “voto útil”, principalmente por parte de Flávio Bolsonaro. Afinal de contas, sendo Lula o único candidato da esquerda, Flávio tem motivos para apostar no “voto útil” como estratégia para fechar a eleição logo na primeira volta.
Não é impossível, mas também não é o cenário mais provável. Desde a redemocratização, apenas um candidato se elegeu logo na primeira volta – Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998 – numa altura em que gozava de uma elevada popularidade após o seu Plano Real, elaborado quando era Ministro da Fazenda (Finanças), ter conseguido controlar a hiperinflação. Nem mesmo Lula da Silva, no auge da sua popularidade e em tempos económicos dourados, conseguiu esse feito. Não é, portanto, provável que em 2026 Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro consigam fechar a eleição na primeira volta. E, é importante salientar: se algum dos dois o conseguir fazer, não é porque desfrutam de uma popularidade avalassadora, mas sim porque ambos concentram graus de rejeição tão elevados que podem motivar e unir o “lado” adversário na intensidade dessa rejeição.
A campanha presidencial não foi programática. Não se falou sobre políticas públicas alternativas. Não se falou sobre os planos de cada candidato como os candidato para lidar com o custo de vida elevado, o endividamento das famílias brasileiras ou diminuir a pobreza. Não se falou das suas visões económicas. E tão pouco se falou de finanças públicas, saúde, educação ou segurança. Ao invés, a campanha focou-se essencialmente no caso do Banco Master, uma gigante teia de corrupção. Esta teia centrava-se num banqueiro fraudulento que nunca deveria ter tido autorização para ser banqueiro, Daniel Vorcaro, e continha inúmeros políticos e juízes a quem Vorcaro pagou quantias elevadíssimas. Entre as relações que receberam dinheiro de Vorcaro está a família Bolsonaro bem como Alexandre de Moraes, o juiz do Supremo Tribunal Federal que mandou prender Bolsonaro após a sua participação numa tentativa de golpe a seguir às eleições de 2022. A campanha girou, por isso, em torno do Supremo Tribunal Federal, que se tornou altamente politizado no Brasil. Apesar da maioria dos envolvidos conhecidos no caso serem políticos de direita, o envolvimento de Alexandre de Moraes bem como do PT-Bahia levou muita gente a associar o escândalo à figura de Lula da Silva. O passado de........
