"Never Forget"
Praticamente todos se recordam com exactidão onde estavam, e o que faziam, quando os aviões embateram nas Torres Gémeas no dia 11 de Setembro de 2001. Foi um acontecimento marcante. Eu não poderei dar ao leitor detalhes excepcionais da minha experiência. Hoje, apenas sei que estava no ventre da minha Mãe, de onde só sairia sensivelmente um mês depois. Mas o mundo em que nasci, a 21 de Outubro, já não era o mesmo de 10 de Setembro.
Há 25 anos, o mundo que saiu de 1989 morreu e veio à vida outro radicalmente diferente. Pelo menos no nosso imaginário colectivo. Mas é certo que os atentados perpetrados pela al-Qaeda em 2001 foram mais o produto de todo um processo histórico (que se tornou previsível no final da década de 1990), do que um verdadeiro ponto de viragem.
Em 1999—no final de uma década em que o World Trade Center já havia sido palco de uma tentativa de atentado em 1993 e em que quartéis (na Arábia Saudita, em 1996) e embaixadas (em Nairobi e em Dar es Salaam, em 1998) dos EUA foram bombardeados—, a Comissão dos Estados Unidos para a Segurança Nacional/Século XXI publicou um relatório que demonstra a antecipação dos perigos do próximo século. O grande problema? Evitá-los seria quase um milagre.
No documento New World Coming: American Security in the 21st Century, pode ler-se que “Estados, terroristas e outros grupos desafetos irão adquirir armas de destruição maciça e de perturbação maciça, e alguns irão utilizá-las”. A hipótese apresentada de seguida é um seguimento lógico da constatação anterior: “É provável que haja mortes de americanos em solo americano, possivelmente em grande número.” Nos parágrafos finais, a Comissão liderada por Gary Hart e Warren B. Rudman concluiu que “durante muitos anos, os americanos sentir-se-ão cada vez menos seguros, e muito menos seguros do que pensam estar agora. Isto porque muitas das ameaças que surgirão no nosso futuro diferirão significativamente das do passado, não só nos seus efeitos físicos, mas também nos seus efeitos psicológicos”. No fundo, conclui o relatório, “os indícios sugerem que as ameaças à segurança americana serão mais difusas, mais difíceis de antecipar e mais difíceis de neutralizar do que nunca. A dissuasão não funcionará como outrora; em muitos casos,........
