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Um pai alienado: quando procurar a filha se torna crime (V)

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04.04.2026

Tal como nos artigos anteriores, seguimos, passo a passo, as diferentes etapas da sua experiência. O percurso que aqui se descreve permite compreender, de forma próxima, a realidade de um pai que tenta reconstruir a relação com a filha após um afastamento prolongado. Ao longo deste caminho surgem obstáculos institucionais, conflitos familiares e um forte desgaste emocional. Pela intensidade dos acontecimentos e pela sua repetição ao longo do tempo, este testemunho revela padrões comuns a outras situações de alienação parental, onde a relação entre um pai/mãe e um filha/o se vai fragilizando progressivamente, sendo muitas vezes interrompida.

Artur descreveu que aquilo que encontrou quando tentou voltar à vida da filha, não foi um reencontro, mas uma recusa: “Quando tentei aproximar-me dela, a minha filha dizia que não queria estar comigo…”, revelando uma rutura emocional já profunda. A recusa da filha alienada não surgiu de forma isolada, mas como resultado de um afastamento que se foi construindo ao longo do tempo. Para um pai alienado, ouvir estas palavras significa perder não apenas o contacto, mas também o lugar afetivo na vida da filha. É o início de uma dor que vai muito além da ausência física.

Este sentimento perdurou e, mais tarde, mesmo tendo tido a oportunidade de  se encontrar com a própria filha, não foi capaz de tomar essa iniciativa: “Durante algum tempo, não sabíamos onde estava a minha filha. Num desses dias, eu e a Dra. Eva fomos a Peniche. Ao passarmos perto de um escritório que eu tinha na altura, vimos a Matilde a entrar na CPCJ. Foi um momento inesperado. A Dra. Eva ainda sugeriu que entrássemos, mas eu estava muito nervoso, inseguro, não me senti........

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