A geração do medo
É engraçado que num mundo em que as mudanças se sucedem a um ritmo vertiginoso e que aquilo que parecia ser a pré-história da Humanidade, por vezes, regresse, dando-nos a sensação que há mudanças que se fazem voltando para trás, se fale tanto de zonas de conforto, de estabilidade e de segurança. Como se mudança e perigo parecessem andar de braço dado. Ou – em vez de liberdade, de prosperidade ou de esperança – passássemos o tempo a falar dum medo sem rosto, sem nunca o nomearmos. Como se mudança e segurança fossem pouco amigas uma da outra.
Mas o medo é uma questão de sabedoria. Não o medo emboscado e silencioso. Mas os medos que nomeamos e elegemos como parte de nós. Estes, são factores de crescimento. Os outros, furtivos, de envelhecimento. Em relação aos medos saudáveis, quanto mais velhos mais medrosos nos tornamos. Quanto mais leais com o medo mais corajosos nós somos; porque a experiência nos recomenda mais riscos. E quanto mais importante é aquilo que nos arrebata mais medo nós temos. (Assim é com as paixões, por exemplo. Porque nos remexem da pele até ao fundo da alma, tornam-nos frágeis e inseguros, esclarecendo-nos que somos pequeninos. E, perante os medos que elas despertam, nos desafiam a escutarmos as convicções e a escolher os nossos desejos guiados por elas. Que é, talvez de........
