Desarmados no meio da barbárie
É impossível esconder ou escamotear o clima de purga que impera em França neste momento. Observamos, praticamente em directo e sem edições, a um cenário aterrador de espancamentos e intimidações, de utilização generalizada de projécteis incendiários, de destruição de espaços públicos, sobretudo estabelecimentos escolares, e de agressões a centenas de agentes policiais e bombeiros. Mas por mais chocante que seja a natureza do terror a que assistimos, a indiferença parece persistir entre muitos europeus que ainda confiam que a normalidade é sempre reposta sem dificuldade e que todas as semanas são semanas de trabalho e de lazer sem ameaças à tranquilidade e conforto individuais.
Esta passividade explica-se, em parte, pelo excesso de confiança adquirido em décadas de paz, pois a paz prolongada produz uma espécie de desarmamento psicológico. Porém, além desse natural esquecimento do perigo, a passividade resulta mais da exposição dos europeus a um intensivo trabalho de doutrinação em várias frentes culturais e institucionais, pelo qual interiorizaram: que a força da Europa é o acolhimento de toda a diversidade; que devemos anular-nos em favor daquilo que é estrangeiro, vendo culturas exteriores através das suas virtudes ou do estatuto de vítima; e, por fim, que as instituições democráticas e o Estado Social........
