Sócrates ficou sem advogado. Porquê?
Imagine que é acusado de um crime que não cometeu. Grave. Público. Com o seu nome nos jornais. Precisa de um advogado. Encontra-o. Confia-lhe a defesa. E, um dia, esse advogado é tratado como se fosse tão culpado quanto o senhor.
Isto não é ficção. É o que está a acontecer na Operação Marquês. Não com o arguido — com os advogados. Todos eles. Os que renunciaram, os que ficaram, os que foram nomeados de urgência e achincalhados antes sequer de abrirem o processo.
Trezentas mil folhas. Duzentos volumes. Cento e vinte e seis apensos. Quatrocentas horas de escutas. Dez dias para estudar tudo. Vinte e dois euros por cada hora de julgamento. E, de recompensa, o insulto público.
Nos últimos dias, li que a Ordem dos Advogados falhou. Que o Bastonário se calou. Que temos um dever esquecido. Percebo a indignação. Treze anos de processo. Trinta e cinco sessões travadas. Crimes que podem prescrever em Junho. Qualquer cidadão tem direito a perguntar: mas ninguém faz nada?
Coloque-se no lugar do advogado nomeado oficiosamente. Não do arguido — do advogado.
Está no seu escritório, com os seus clientes, a sua vida organizada. Toca o telefone. Foi sorteado para defender o arguido mais mediático do país. Tem dez........
