Quando a liberdade se torna o seu próprio limite
O paradoxo parece abstrato, mas tornou-se a descrição mais fiel do momento que as democracias atravessam. Nunca houve tanta liberdade formal e, simultaneamente, nunca foi tão evidente a sua fragilidade.
Durante décadas, acreditou-se numa equação simples: mais liberdade significaria mais verdade, mais racionalidade, mais progresso. A liberdade de expressão, em particular, foi vista como um mecanismo quase automático de correção, um espaço onde o melhor argumento venceria.
Hoje sabemos que não é assim.
A liberdade abriu espaço não apenas ao pluralismo, mas também à manipulação, à desinformação e à fragmentação do espaço público. Plataformas digitais amplificam emoções em vez de razão; a informação circula mais rápido do que a sua verificação; a opinião substitui frequentemente o juízo crítico. A liberdade não desapareceu, mas tornou-se instável.
E é neste ponto que a reflexão de Immanuel Kant ganha uma atualidade inesperada.
Kant nunca confundiu liberdade com arbitrariedade. Pelo contrário, insistiu numa ideia exigente: ser livre é agir segundo leis que a própria razão reconhece como universais. Como escreveu, “a vontade livre e a vontade submetida à lei moral são uma e a mesma........© Expresso
