Ao centro do ringue eleitoral, segue o rito
A 20 dias do primeiro turno da sucessão presidencial, o Supremo Tribunal Federal (STF) monta o patíbulo para decidir sobre o primeiro julgamento da história de um togado. Alexandre de Moraes foi o relator das investigações da tentativa de golpe de estado e quem apresentou o voto principal pela condenação dos réus do núcleo crucial, entre eles, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Prestou um serviço fundamental à estabilidade democrática. Mas, pelas informações divulgadas, Moraes enroscou-se na teia de Daniel Vorcaro. As conversas e relações impróprias do ministro com ex-banqueiro foram expostas ao público pelo ministro André Mendonça, indicado para a função por Jair Bolsonaro. Mendonça foi anunciado como “ungido” pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, aquele que simbolicamente, conduziria a luta do “bem” contra o “mal”.
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Nem a “realpolitik” nem as igrejas evangélicas cultivam santos. Tal como esperado de um agente político, Mendonça atropelou ritos e calculou o timing eleitoral para atirar em Moraes. Deu ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, a narrativa da “vitimização” de sua família: ao desmoralizar o “algoz” de Bolsonaro, a credibilidade do ministro foi atingida, ainda que o caso nada tenha a ver com o julgamento dos atos de 8 de Janeiro.
O STF, que como ocorre mundo afora, já é alvo de discursos da alt-right porque freia impulsos de governantes autoritários, por aqui, dá lá os seus motivos adicionais. Moraes não foi o único a cultivar relações com Vorcaro. Obviamente não se deve estimular uma falsa equivalência, mas, não se pode tampouco deixar de apontar que Dias........
