Mundial. O palco de Toto, Pak e Azzedine
Os Mundiais contam-se quase sempre pelos mesmos nomes. Pelé, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Zidane, Messi, Ronaldos. São eles as grandes estrelas cujos feitos ocupam livros, documentários e os debates históricos sobre os deuses do Olimpo da bola. Há, no entanto, todo um outro lado mágico dos Campeonatos do Mundo que vive para além dos génios anunciados. Vive, muitas vezes, nos homens que ninguém esperava, nos heróis improváveis que, confesso, me fazem prender ao ecrã, a cada quatro anos, com maior expetativa e entusiasmo do que as grandes figuras do cartaz.
Há qualquer coisa de profundamente humano nos heróis inesperados. Naqueles que chegam ao Mundial como simples figurantes, no anonimato mediático, e acabam por revelar-se ao mundo no palco mais sonhado por qualquer criança que alguma vez deu um pontapé numa bola. Talvez por estarem mais próximos de nós, comuns dos mortais, do que os inalcançáveis Pelés e Maradonas, são eles que nos recordam, a cada quatro anos, que todos podemos, afinal, vivenciar os sonhos de infância, nem que seja só por um momento, por um jogo, ou, por vezes, até por um campeonato inteiro.
Dos Mundiais da minha infância, recordo tanto a mão de Deus e o golo do século de Maradona como o pontapé de moinho de Manuel Negrete no México86. Até então um perfeito desconhecido deste lado do Atlântico, o mexicano ganhou, com esse golo à Bulgária........
