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Milhões viveram na Amazônia antes de qualquer europeu pisar ali

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05.08.2026

Em 29 de julho de 2026, a revista Nature publicou um estudo que obriga a reescrever a ocupação humana da Amazônia antes da chegada dos europeus. O arqueólogo finlandês Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque, coordenou a pesquisa, fruto de cerca de vinte e cinco anos de cooperação com especialistas brasileiros — entre eles Alceu Ranzi, um dos pioneiros no estudo dos geóglifos amazônicos desde o início dos anos 2000. 

O levantamento identificou 432 grandes estruturas arqueológicas; 396 delas nunca haviam sido registradas, e a estimativa de que mais de vinte mil construções semelhantes permaneçam escondidas sob a floresta ganhou respaldo estatístico inédito.

Essa mudança de estatuto tem uma causa técnica: o LiDAR. Levantamentos aéreos cobriram cerca de 4.500 quilômetros quadrados de áreas preservadas no sudoeste amazônico, usando esse sistema — tecnologia que dispara milhões de pulsos de laser contra o solo. Uma parte desses feixes atravessa pequenas aberturas entre as copas das árvores, alcança a superfície e retorna aos sensores da aeronave. O processamento reconstrói, com precisão que nenhum método anterior alcançou, o relevo escondido pela vegetação — fossos, estradas, plataformas cerimoniais, obras de engenharia que nenhum observador em terra teria enxergado. A floresta escondia arquivo, e um arquivo extenso.

Esse arquivo desmonta um veredito repetido por décadas: a ideia de que os solos amazônicos eram pobres demais para sustentar sociedades numerosas e organizadas territorialmente. 

As novas evidências expõem a extensão desse erro. A floresta........

© Brasil 247